Carta aberta aos novos adultos

Olá meus amores!

Há alguns dias, em conversa com alguém da minha idade, dei por mim a comentar a atitude dos “novos adultos”. No seguimento dessa conversa, fui desafiada a escrever um artigo, estilo carta aberta aos novos adultos, à geração a seguir à minha – cá estou a fazê-lo.

Não quero, com este post, por tudo no mesmo saco, mas a redundância e generalização são inevitáveis. A verdade é que, cada vez mais, nos deparamos com adolescentes e recém-adultos (se esta nomenclatura não existe, acabei de a inventar) que sabem muito pouco sobre a vida mas que, de alguma forma, pensam que sabem tudo. Quem é mais velho que eu dirá, ao ler isto “Todos nós passamos por isso, sentimos isso, essa discrepância de gerações” e sim, isso é mesmo verdade. Mas o problema é exatamente esse! O problema é tudo isto ser assim tão evidente. O problema é que esta diferença de pensamento é cada vez mais perceptível!

A cada geração que passa as pessoas ficam mais egoístas. Há sempre um momento de clique, um ponto de viragem em que a inocência duma criança se transforma em arrogância ou displicência. E nesse momento, acabam as perguntas, a compreensão ou a compaixão pelo próximo e formam-se juízos infundados. Por isso, posso dizer que o que mais me assusta não são as dúvidas, mas sim as certezas! As certezas  que se baseiam em opiniões e não em factos, os moralismos forçados e sem fundamento. A incapacidade cega de ouvir o outro.

Assusta-me o desconhecimento do contexto. O ser humano critica, julga, mesmo que não exprima isso em palavras faladas – é a nossa natureza. Mas uma opinião não é um facto e há que saber distingui-los. Não somos todos iguais e quem está fechado na sua redoma de vidro, sem contacto com a vida de outras pessoas, nunca irá conseguir compreendê-las. Por isso mesmo assusta-me a forma rápida como se fazem juízos dos outros, sem os conhecer de verdade. Assusta-me ainda mais quando alguém critica determinada atitude e acaba por a tomar mais tarde – nem é preciso explicar porquê, certo?

Assusta-me a hipocrisia de bancada.  Assustam-me os “Je suis Charlie” das redes sociais.  Assustam-me os humanitários que não agradecem ao senhor da padaria, não cumprimentam a empregada da limpeza e os xicos-espertos que, disfarçadamente, ultrapassam nas filas. Tudo na nossa vida pode ser dividido por níveis por isso: para quê dar um salto maior que a perna quando fazer o bem começa na nossa casa?

Assusta-me o Super-Herói infeliz. Assusta-me a infelicidade disfarçada. A foto bonita no Instagram e a tristeza do dia-a-dia. Assusta-me que a vontade de ter mais seguidores, mais likes, mais interação não seja idêntica à vontade de ser melhor, de ser mais, de ser feliz. Assusta-me que se viva atrás do ecrã, a toda a hora, a todo o minuto.

Toda esta geração me assusta, entristece-me. Mas o pior de tudo isto é pensar que eu sou “esta geração” para a geração anterior.

Por isso, um último pedido: questionem-se. Não fiquem pelo básico, vejam mais além. Pensem sempre duas vezes. Não tenham vergonha de dizer o que pensam, mas lembrem-se que a vossa opinião vale exatamente o mesmo que o de qualquer outra pessoa. Sejam coerentes. Sejam generosos. E nunca, mas nunca, deixem que vos tomem por parvos! Nunca deixem de lutar pelas coisas que valem a pena e lembrem-se que, num instante, as coisas passam e a imagem que os outros têm de vocês é ditada pela forma como vocês tratam os outros.

Espero que tenham gostado deste meu desabafo! Se sim, passem pelo Instagram para falarmos um bocadinho sobre isto!

Um grande beijinho,

a miúda dos Caracóis

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